quinta-feira, 5 de julho de 2012

Parintins 2012 - Caprichoso Campeão!

Não existe nada igual! Vai ver que é isso que nos faz entender 30 mil pessoas na última semana de junho deixarem Manaus e navegarem 420 km de barco pelo Rio Amazonas para fazer farra e torcer pelos bois Caprichoso e Garantido. Você vê uma explosão de talento, energia e organização numa Ilha isolada e absolutamente encantada! É melhor que peça, desfile, ópera, balé, campeonato, é o maior espetáculo que existe neste nosso Brasil!


Você até se pergunta: como pode? Como pode uma Ilha isolada no meio da Floresta fazer um espetáculo mais bonito que o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro? Como pode você agüentar seis horas de apresentação todos os dias e ainda querer mais? Como pode você passar alguns dias numa cidade tão simples e querer continuar?

É um grande espetáculo ao ar amazônico no qual se encena a lenda de um boi que é morto e depois ressuscitado por um pajé e o homem que matou o boi é capturado por uma tribo de índios. O ritmo é a toada, lento e cadenciado, lembra alguns rituais indígenas, e com uma batida amazônica na levada.

Muito mais emocionante que as Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Em primeiro lugar pela luz de show. Além dos refletores do bumbódromo, os bois usam spots coloridos, montados em torres com rodinhas, para variar cor, foco e intensidade ao longo do espetáculo. Em muitos momentos, a apresentação é iluminada apenas por velas acesas na arquibancada, fogos de artifício e fumaça colorida. É muito mais bonito que réveillon na praia de Copacabana.

Em vez de passarela, os bois têm arena, o que muda totalmente a natureza da apresentação. As escolas de samba, só podem andar para a frente, já os bumbás podem variar infinitamente a maneira de entrar, as coreografias e o modo de ocupar o "palco".

Os bumbás também podem contar com uma variedade de músicas. No lugar de repetir o mesmo samba-enredo o desfile inteiro, os bumbás lançam todo ano doze toadas, que são cantadas em momentos diferentes da apresentação. Eles também podem trazer de volta toadas clássicas, consagradas em festivais passados. É como se os puxadores das Escolas de Samba pudessem cantar sambas-enredo finalistas de carnavais passados.

A quarta diferença dos bois com relação às escolas de samba é a galera. Cada bumbá tem 15 mil pessoas na arquibancada, ensaiadas e animadas como você nunca viu em nenhum estádio brasileiro, pulando e fazendo coreografias impecáveis três horas sem parar. Não dá para não se arrepiar.

Um detalhe: os apaixonados por seu bumbá nunca pronuncia o nome do outro boi, refere-se a ele apenas como "o contrário".

O que se vê no Bumbódromo , é o sincretismo de quase todas as religiões nacionais. A cada noite os dois bumbás fazem um espetáculo totalmente diferente. Muda o tema, mudam as cores, mudam as coreografias e as alegorias. Daria para dizer que você assiste a três cerimônias de abertura das Olimpíadas por noite, mas isso seria tremendamente injusto com os bumbás, já que o Festival de Parintins põe qualquer Olimpíada no chinelo.

Os bumbás têm apresentadores que vão narrando o espetáculo para que ninguém, do povão ou do júri, perca nenhum detalhe. Outra função dos apresentadores é cantar o número do quesito que está sendo julgado. "E olhem agora quem está chegando no alto da montanha! Concorrendo ao item 14: melhor pajéééé!". Hollywood bem que poderia copiar.

As alegorias vão sendo montadas em módulos. É inacreditável como se encaixam tão bem e sempre guardam uma surpresa. Geralmente, elas trazem escondidos os personagens mais importantes do boi: a sinhazinha da fazenda, a cunhã-poranga (a índia mais bonita da tribo), a rainha do folclore, o pajé, o próprio boi. A chegada de cada um desses personagens é saudada por uma salva de fogos de artifício e pelo delírio da torcida.

Os componentes (brincantes) vão entrando aos poucos, em tribos que dançam igualzinho aos índios do Xingu. Quando a arena finalmente fica cheia acontece o final apoteótico, com a encenação de um ritual indígena (que muda toda noite). Detalhe: enquanto a galera do boi que está se apresentando não pára no lugar por quase três horas seguidas, a outra metade do Bumbódromo precisa ficar estática, senão perde pontos.

Ao final dos três dias de apresentações, você sai achando que a construção do Teatro Amazonas pelos barões da borracha não foi nada perto do que você presenciou. Acredite: a ópera de Parintins é muito mais impressionante que a de Manaus.

Este ano tive a emoção de conseguir levar minha mãe. Surpresa, diz que nunca viu coisa igual. Nem queria voltar.

Sou Caprichoso desde que me entendo como gente e absolutamente fanática, mas excepciono o que os nativos dizem: que a opção por qualquer um dos bois não tem nenhuma relação com preferências futebolísticas ou partidárias. Partidárias eu concordo. É a única semana do ano que visto azul mas quando escolhi meu bumbá foi pela estrela na testa que para mim significava a estrela solitária do Botafogo. Nada tem a ver. Mas quando vi o Caprichoso entrar pela primeira vez, fiquei alucinada.

Durante o Festival, ninguém dorme na Ilha. Você fica dançando as toadas do boi em frente ao bar Chapão, tem azaração na orla que sai da Praça do Cristo, ou pega-se um sol na Soraia ou no Paraíso, à beira do lago Macurany. Ali no lago também é possível se fazer um passeio de barco contornando toda a Ilha.






Se você quiser ver mais fotos dos três dias do Festival de Parintins 2012 e do Campeonato do Caprichoso, além das exóticas paisagens da Ilha Encantada, basta acessar:

http://www.mariarachelcoelho.com.br/verGaleria.asp?id=26

http://www.mariarachelcoelho.com.br/verGaleria.asp?id=27

http://www.mariarachelcoelho.com.br/verGaleria.asp?id=28

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

No Pantanal



Maria Rachel Coelho e sua estrela Janette Jane no nosso fascinante Pantanal

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DPU em defesa do Antigo Museu do Índio do Maracanã

Foto: O Defensor Público André Ordacgy com a Professora Maria Rachel Coelho

Durante toda a manhã a professora Maria Rachel Coelho esteve em reunião com o Defensor Público André Ordacgy, titular do Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva para tratar do tombamento do prédio do Antigo Museu do Índio no Maracanã.


Inicialmente André vai oficiar o INEPAC para obter informações acerca do pedido de tombamento feito a este órgão em abril de 1997. O prédio pode até já estar tombado. De acordo com este resultado o defensor público, então, pedirá ou não seu tombamento ao IPHAN.

Com o prédio tombado, o poder público terá que restaurá-lo e preservá-lo. Com isso, ele cumprirá a condição estabelecida em escritura pública de doação feita pela Alteza Real Senhor Duque de Saxe.


O imóvel foi doado por Duque de Saxe em 1865 com cláusula que o condicionava a pesquisa sobre as populações originárias e suas sementes domesticadas.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Índios do Xingu fazem treinamento com bombeiros de elite dos EUA

Vinte e cinco indígenas de quatro etnias participam de encontro.Instrutores enfatizaram importância da prevenção das queimadas.

Treinamento incluiu a simulação de uma queimada. (Foto: Kiabieti Metuktire/Divulgação)


Treinamento enfatizou importância da prevenção ao fogo. (Foto: Kiabieti Metuktire/Divulgação)
Índios de quatro etnias do Xingu participaram de um treinamento com bombeiros “Hotshots” dos EUA - profissionais altamente especializados no combate a incêndios florestais em áreas protegidas, financiados por diferentes agências governamentais americanas.
Ao todo, 25 índios trumai, caiapós, juruna e panará, além de 20 bombeiros de Mato Grosso, estiveram reunidos entre 1º e 7 de março na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto Jarina.
Segundo relata o tenente-coronel bombeiro Alessandro Mariano, coordenador do projeto de brigadas de bombeiros indígenas, os três americanos que fizeram o treinamento deram ênfase, em especial, à importância da prevenção dos incêndios florestais. Um antropólogo serviu de intérprete ente os índios e os instrutores estrangeiros.
No Xingu já há cerca de 50 indígenas treinados e equipados para combater as queimadas. A partir de maio, quando recomeça a temporada do fogo na Amazônia, eles devem mais uma vez se esforçar para evitar que incêndios destruam a mata em suas terras.
Em 2008, o cacique Raoni foi recebido em Brasília pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em reconhecimento ao trabalho dos bombeiros indígenas, pois conseguiram reduzir em 80% o número de queimadas entre 2007 e 2008 em sua região