quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mais de 300 milhões de índios vivem em extrema pobreza, afirma ONU

Relatório inédito foi apresentado nesta quinta (14), em nove países.Expectativa de vida de indígenas é 20 anos menor do que a média.
Carolina Lauriano
Do G1, no Rio
Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta quinta (14) revela que mais de 300 milhões de índios vivem em extrema pobreza, em áreas rurais do mundo. A população indígena, formada por cerca de 370 milhões de pessoas - em torno de 5% do total mundial - representa um terço das 900 milhões que vivem nesta situação.
A primeira publicação da ONU sobre a situação dos povos indígenas do mundo, produzida pelo Secretariado do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas, foi lançada no Rio de Janeiro e também, simultaneamente, em Nova York, Bruxelas, Camberra, Manila, México, Moscou, Pretória e Bogotá.
De acordo com o documento, escrito por sete peritos independentes, a expectativa de vida da população indígena é até 20 anos menor do que a média. Os índios também possuem níveis desproporcionais de mortalidade infantil e materna, desnutrição, Aids, além de outras doenças infecciosas como a malária. Obesidade, diabetes e tuberculose são, atualmente, as maiores preocupações em relação à saúde desses povos em países desenvolvidos.
No Rio, o relatório inédito foi apresentado por Marcos Terena, articulador dos direitos indígenas do Comitê Intertribal - Memória e Ciência Indígena (ITC) e membro da Cátedra Indígena Itinerante, e também por Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
“Essa é uma questão grave que a ONU quer chamar a atenção com esse relatório”, disse Summa.

Destaques do relatório

O texto alerta sobre a ameaça de extinção das culturas indígenas e afirma que 90% de todos os idiomas indígenas vão desaparecer em 100 anos.
Segundo a ONU, as taxas de suicídio na comunidade indígena, principalmente entre os jovens, são consideradas muito altas em diversos países.
A discriminação étnica e cultural nas escolas, avaliou o relatório, são os principais obstáculos para a igualdade de acesso à educação.
De acordo com o relatório, pesquisas mostram que uma em cada três mulheres indígenas é estuprada. Perguntado sobre o motivo da violência com as índias, Terena afirmou que essa é uma forma de desmoralizar o índio. “O relatório diz que a forma mais fácil de se destruir um povo é o desmoralizando”.
Dados brasileiros

Terena, que é indígena do Mato Grosso do Sul, afirmou que no Brasil há 230 sociedades indígenas, com 180 línguas. Ele disse ainda que 14% do território brasileiro são ocupados por índios.
De acordo com Summa, não há nenhum dado oficial sobre o número exato de índios no Brasil. Ele contou que, em 2000, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou documento dizendo que 15,5% dos brasileiros viviam na extrema pobreza. Quando o cálculo era feito na população indígena do país, no entanto, esse número subia para 38%. Para Terena, um dos desafios a serem enfrentados no país é o debate sobre o assunto. “O governo hoje precisa aprender a dialogar com as comunidades indígenas”. Ele acredita que as políticas públicas no Brasil são atrasadas. Ele afirmou ainda que a situação mais grave hoje no país é a demarcação de terras no Mato Grosso do Sul, que ele considera o estado mais violento do Brasil. Entretanto, o diretor da UNIC Rio disse que o Brasil tem um dos marcos legais mais avançados do mundo.
Fonte: G1 no Rio de Janeiro

domingo, 10 de janeiro de 2010

GLOBO RURAL FAZ REPORTAGEM SOBRE PARQUE NACIONAL DO XINGU E CULTURA MILENAR DOS ÍNDIOS KUIKURO

A Rede Globo apresentou hoje 10 de janeiro de 2010 uma reportagem, no programa Globo Rural, sobre o Parque Nacional do Xingu e em especial os Kuikuro e um pouco de sua cultura.
Se você não assistiu ao Globo Rural no horário tradicional veja agora. Basta clicar nos links:

Parte 1: Conheça o Parque Indígena do Xingu
http://bit.ly/7okP67
Parte 2: Os sabores do Pequi
http://bit.ly/8QfaAU
Parte 3: Festa dos kuikuro
http://bit.ly/7uCrGt
Parte 4: Veja a rotina dos índios kuikuro na aldeia
http://bit.ly/7U7GHb

Mutuá Mehinaku kuikuro aparece na Parte 4 da reportagem, Veja a Rotina dos Índios Kuikuro na Aldeia, dando aula. Mutuá é professor da Rede Estadual do Mato Grosso e está de licença no Rio de Janeiro onde faz seu Mestrado no Museu Nacional/ UFRJ.


Mutuá é também neto de Nahú Kuikuro. Seu avô Nahú, acompanhou os irmãos Leonardo, Cláudio e Orlando Villas Boas, o Marechal Rondon e Darcy Ribeiro na criação do Parque Nacional do Xingu.

Mutuá nasceu na Aldeia Kuikuro de Ipatse do Alto Xingu, Mato Grosso. É licenciado pela Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT). Seu projeto de dissertação é "Morfologia e Semântica de neologismos na língua Kuikuro".

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Os Kuikuro

Maria Rachel Coelho e Mutuá Kuikuro






sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Museu do Índio inaugura Galeria de Arte Indígena e exposições sobre os Guarani

O grupo indígena Mbyá Guarani do Rio de Janeiro foi a etnia escolhida para iniciar o programa “Índio no Museu” .
O evento integra os espaços expositivos da instituição – Museu das Aldeias, Muro do Museu e a Galeria de Arte Indígena - com uma mesma temática. A proposta, baseada na parceria direta com os índios, é a documentação da sua cultura com foco na cultura material e no processo de produção de bens.

O Coral das crianças Guarani se apresentou e emocionou a todos.


Com nosso Presidente, Márcio Meira, Mutuá e Kamayurá. Kamayurá é a liderança que representa as diversas etnias que residem no Espaço do Antigo Museu do Índio. Mutuá Mehinaku Kuikuro é professor da Rede Estadual do Mato Grosso e está de licença no Rio de Janeiro onde faz seu Mestrado na UFRJ.


Kamayurá e Patxá que moram no Espaço do Antigo Museu do Índio no Maracanã há mais de um ano. Há meses a família trouxe o pequeno Itamauí.

A exposição fotográfica "Ojapo Porã'i" acontece no espaço Muro do Museu. São 20 fotos realizadas pelos próprios índios em oficinas organizadas pelo Museu do Índio. Os Guarani vão mostrar para a população da cidade o que eles registraram como um “fazer bonito” (ojapo porá) em suas aldeias do Rio de Janeiro.


A mostra etnográfica "Tape Porã, impressões e movimento - os Mbyá no Rio de Janeiro" com cerca de 60 peças, fotos e vídeos, no Espaço Museu das Aldeias, procura refletir sobre o movimento – o deslocamento - na experiência de vida dos Mbyá, que se liga estreitamente à produção do que eles chamam de “estar bem” (-iko pora ) e que significa tanto estar com saúde quanto estar “alegre” (-vy’a). Os objetos exibidos carregam marcas da história desse povo. A curadoria é assinada pela antropóloga Elizabeth Pissolato.


Na Galeria, a mostra de venda “Ombopara” (grafismo Guarani). A criação da Galeria de Arte Indígena é uma iniciativa do Museu do Índio para agregar um conteúdo social e étnico às peças comercializadas pelos diferentes grupos indígenas brasileiros. Na abertura da Galeria, o destaque inicial é para o grupo Mbyá- Guarani, contextualizando a sua arte no nicho de mercado ecológico, já que os objetos vendidos por eles no Rio de Janeiro são feitos de fibra de bambu. A renda obtida reverterá para as associações Mbyá. O Projeto Guarani conta com o apoio da Fundação Banco do Brasil e da UNESCO.


Os Guarani vivem, hoje, nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, e estão classificados em três grupos: Kaiová, Nhandevá e Mbyá. Com uma população estimada em torno de 34 mil pessoas, mantêm uma unidade linguística e cultural, constituindo-se, assim, numa das maiores etnias indígenas do País. O idioma Guarani pertence à família Tupi-Guarani, do tronco lingüístico Tupi. Há Guarani também em terras situadas em partes da região de Missiones na Argentina, do leste do Paraguai e norte do Uruguai.

Museu do Índio
Rua das Palmeiras 55 – Botafogo
Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 17h30min; sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.R$3,00 - grátis aos domingos. Até 15 de maio de 2010.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

PAULO RAMOS APÓIA ÍNDIOS AMEAÇADOS NO RIO

O deputado Paulo Ramos – PDT – RJ - defendeu na TV Alerj, no Programa Alerj debate, nesta segunda, 9, a restauração do Casarão que foi sede do SPI e do Antigo Museu do Índio, na Rua Mata Machado no Maracanã. O espaço que foi doado pelo Príncipe Regente em 1865, teve como condição pesquisas sobre povos originários e suas sementes domesticadas e abrigou boa parte da cultura indígena no Brasil.

O local está ameaçado de demolição para construção de um estacionamento para atender aos jogos olímpicos e a Copa do Mundo.

Paulo Ramos lembrou que Darcy Ribeiro fundou o Museu do Índio em 1952 e o local também foi moradia do Marechal Rondon.
Participaram do programa com o jornalista Renato Auar, o líder Pataxó kamayurá e a Professora Maria Rachel Coelho.
Kamayurá enfatizou que o Museu do Índio, atualmente em Botafogo, é administrado por não-índios e que não atende as necessidades dos indígenas que moram no Rio.
Também falou que os não-índios não entendem que a terra é sagrada e assim como não se compra e vende o céu, o sol, o mar, as terras são inegociáveis.

Rachel Coelho enfatizou que os índios tem a posse do terreno, e o direito é originário, indisponível, inalienável e imprescritível constitucionalmente, confirmado pelo Supremo Tribunal Federal recentemente no caso Raposa Serra do Sol.

No último bloco do programa, a Professora fez um desabafo sobre as ameaças que todos que estão lutando por essa causa estão sofrendo, principalmente os índios que moram no local.

Vejam os horários de reprise do programa no site da TV Alerj
Ou vejam pela internet :

BLOCO 1
http://www.tvalerj.tv/PlayMediaInPortfolio.do?mediaId=6495

E baixe os Blocos 2 e 3 .

...”Isso é um patrimônio das comunidades Indígenas e de todo povo brasileiro. Só quem não sabe o significado da palavra “referência” pode ter tanta insensibilidade e descompromisso. E não há razão para destruir, é possível conciliar o interesse deles preservando a história dos povos indígenas”...

Paulo Ramos
Esse sim é o cara!


http://www.deputadopauloramos.com.br/

domingo, 1 de novembro de 2009

Ritual do fogo marca a abertura dos Jogos dos Povos Indígenas

Com uma oração feita pelos índios Tembé, anfitriões da festa, foi aberta no Parque Ambiental de Paragominas, sudeste do Pará, no início da noite de sábado (31), a décima edição dos Jogos dos Povos Indígenas, promovida pelo Comitê Intertribal. Todas as demais etnias, com suas pinturas e adereços característicos, deixaram as ocas para dançar, cantar e tocar instrumentos de percussão.

Os Assurini, por exemplo, exibiram instrumentos de sopro de um metro e meio, feitos em bambu. Com a lua cheia já despontando, a poeira levantou com o movimento firme e ritmado dos pés descalços.

Jornalistas e fotógrafos não tiveram acesso a esse momento da festa. Apenas os atachê (ajudantes) e os organizadores ganharam permissão para ver o ritual coletivo de celebração. Aos poucos, os índios se organizaram em fila para entrar na arena. Na saída da aldeia instalada ao lado do Parque, dezenas de fotógrafos profissionais se concentraram para conseguir as primeiras imagens.

Reunindo quase 10 mil pessoas nas arquibancadas, a cerimônia começou às 18h20, com o anúncio das etnias. Os Tembé, que têm uma reserva em Paragominas, foram os primeiros a entrar, seguidos pelas delegações Kaiapó (MT), Kaigang (RS), Xokleng (SC), Xavante (TO)e outras representantes de todas as regiões do país.

Celebração - Após as apresentações das características de cada etnia foi realizada a corrida de toras. Duas equipes Xavante, sempre se revezando, deram três voltas na arena carregando uma tora de buriti de 120 quilos. A equipe número um ganhou, mas as duas celebraram, pois nos Jogos dos Povos Indígenas não há placar. "Aqui, mais importante que os vencedores é estar juntos, celebrando", explicou o apresentador do evento, Pacífico Júnior, com a experiência de quem já participou de todas as edições dos Jogos.

Os Terena, etnia do embaixador para as Nações Unidas (ONU), Marcos Terena, um dos idealizadores dos jogos, dançaram no ritual do fogo, em volta de uma grande fogueira. As piras dos totens, símbolos dos Jogos, foram acesas, junto com uma queima de fogos. A cerimônia de abertura terminou por volta de 20h30.

Jaqueline Araújo da Conceição, 21 anos, estudante do 3º ano do ensino médio, que assistiu à abertura ao lado das irmãs e de uma tia, gostou da cerimônia. "Adorei! Ainda não tinha visto um espetáculo tão bonito", afirmou.
Vejam algumas fotos em:

VIÚVA DO PROFESSOR AFONSO PEREIRA LANÇA LIVRO EM SUA HOMENAGEM


A Professora Clemilde Torres Pereira, viúva do educador Afonso Pereira da Silva, que faleceu em junho de 2008,lançou ontem o livro "Ecos da Recordação", assinado pela própria Clemilde e pela também escritora Balila Palmeira.
O lançamento do livro foi no próprio Arquivo Afonso Pereira, no bairro de Jaguaribe, na capital. A data escolhida foi porque exatamente ontem o educador faria 92 anos de idade.
Clemilde Torres explicou que a publicação é um retrato, um registro com depoimentos, cartas de condolências e notícias publicadas logo após a morte do marido.Durante o evento também foi feita uma homenagem à Escola Municipal Afonso Pereira, inaugurada pelo Prefeito Ricardo Coutinho no início deste ano, no bairro Cidade Verde.
A venda do livro será revertida para a compra de paradidáticos para a escola.
D. Clemilde é membro do MEB - Movimento Educacionista do Brasil e também uma de nossas maiores parceiras.